Quando eu fiz 30 anos eu fui a Paris. Fazer trinta anos, ou,
como dizemos hoje em dia, “trintar”, é um momento de virada para muitas
pessoas, “os trinta são os novos vinte”. Quando nossos avós (ou mesmo nossos
pais) eram jovens, aos vinte e poucos anos já se era um adulto, casava-se até
mesmo antes dos vinte, e aos trinta os filhos já estavam grandinhos, a profissão
determinada, e o financiamento da casa já tinha sido negociado e já se pagavam
as parcelas há algum tempo. Agora, passamos os vinte tentando entender alguma
coisa. Não precisamos mais casar. Não precisamos mais ter filhos, não é nem
preciso mais escolher uma profissão pro resto da vida. E... os trinta são os
novos vinte, talvez.
Essa semana meu irmão do meio está “trintando”, e é natural
querer marcar a data com uma grande celebração, viagem ou presente pra si
próprio. Pois bem, ele escolheu a primeira. E, sem se deixar afetar por
superstições, ele comemorou antes. Embora o aniversário dele seja na próxima
quarta-feira, a festa foi feita no ultimo sábado, com direito a um final de
semana em uma chácara para a família, todo mundo foi convidado, e quem quis
ir... foi. Exceto por mim. Das redes sociais eu acompanhei. E ao longo do fim
de semana as fotos fora postadas ou enviadas diretamente no meu celular. Fotos do
meu pai e da minha mãe. Fotos dos meus primos e da tia querida. Foi todo mundo
que quis ir. Menos eu.
Se eu estivesse perto deles, morando ainda na mesma
casa, ou em algum local próximo eu também teria ido. Não sei se teria ficado
feliz por estar passando o fim de semana longe de casa, e com os amigos dele,
não com os meus, mas eu teria ido. Trinta anos é uma virada, e eu tinha que
comemorar com o meu irmão. A questão é que, por muito mais de um fim de semana
eu tenho estado “longe de casa”, por que agora tenho uma outra casa. E nas
datas especiais é difícil lidar com a escolha de viver longe de tanta gente que
se ama. Acompanhar por fotos e comentários em redes sociais é agridoce, é bom
saber que eles estão bem e felizes e festejando, mas a saudade aperta.