Monday, August 19, 2019

Sobre estar longe I


Quando eu fiz 30 anos eu fui a Paris. Fazer trinta anos, ou, como dizemos hoje em dia, “trintar”, é um momento de virada para muitas pessoas, “os trinta são os novos vinte”. Quando nossos avós (ou mesmo nossos pais) eram jovens, aos vinte e poucos anos já se era um adulto, casava-se até mesmo antes dos vinte, e aos trinta os filhos já estavam grandinhos, a profissão determinada, e o financiamento da casa já tinha sido negociado e já se pagavam as parcelas há algum tempo. Agora, passamos os vinte tentando entender alguma coisa. Não precisamos mais casar. Não precisamos mais ter filhos, não é nem preciso mais escolher uma profissão pro resto da vida. E... os trinta são os novos vinte, talvez.
Essa semana meu irmão do meio está “trintando”, e é natural querer marcar a data com uma grande celebração, viagem ou presente pra si próprio. Pois bem, ele escolheu a primeira. E, sem se deixar afetar por superstições, ele comemorou antes. Embora o aniversário dele seja na próxima quarta-feira, a festa foi feita no ultimo sábado, com direito a um final de semana em uma chácara para a família, todo mundo foi convidado, e quem quis ir... foi. Exceto por mim. Das redes sociais eu acompanhei. E ao longo do fim de semana as fotos fora postadas ou enviadas diretamente no meu celular. Fotos do meu pai e da minha mãe. Fotos dos meus primos e da tia querida. Foi todo mundo que quis ir. Menos eu.
Se eu estivesse perto deles, morando ainda na mesma casa, ou em algum local próximo eu também teria ido. Não sei se teria ficado feliz por estar passando o fim de semana longe de casa, e com os amigos dele, não com os meus, mas eu teria ido. Trinta anos é uma virada, e eu tinha que comemorar com o meu irmão. A questão é que, por muito mais de um fim de semana eu tenho estado “longe de casa”, por que agora tenho uma outra casa. E nas datas especiais é difícil lidar com a escolha de viver longe de tanta gente que se ama. Acompanhar por fotos e comentários em redes sociais é agridoce, é bom saber que eles estão bem e felizes e festejando, mas a saudade aperta.